A Escolha

13º Episódio
CapituloI


Dois dias já se passaram desde que levaram Ajeb.
Estávamos a quase um dia inteiro na clareira de treinamento
Eu estava fazendo as benditas lutas corpo-a-corpo com armas.

Era finalzinho de tarde eu vestia uma legging com estampa galáxia e uma blusa colada, para que Elessar não conseguisse me pegar pelas vestes como vinha fazendo nesses últimos treinamentos de aperfeiçoamento.
E eu ainda não tinha conseguido domina-lo pelos benditos dez segundos, isso já estava me deixando muito irritada antes mesmo de começarmos os treinos.
 Sitaara que era nossa mediadora nos disse:

- Fiquem atentos! 
Esqueçam as gracinhas de vocês dois que isso é sério! 
Voce só precisarão tocar suas lâminas muito superficialmente na pele do oponente.
 Isso contará como ataque completo. 
Não quero ninguém ferido. 
Sigel! Fique atenta! Voce irá defender-se e ao mesmo tempo atacar!

- Não estranhem! A minha irmã é um comandante e falava desse jeito mesmo! Era para impor respeito e atenção. Mesmo não estando diante de seu pelotão. 
 Continuando com os comandos de Sitaara nos preparamos para o combate. 

Elessar foi até o painel de armas brancas e retirou uma lâmina que eu ainda não conhecia. Era uma lâmina que parecia um punhal grande, negro como as minhas adagas, com a ponta bem comprida e uma leve curva.
 Elessar tinha um ar distante quando empunhou sua arma e girou a mão. Ele era tão intimo com aquela arma que me pareceu ser uma parte dele e não uma arma mortal.
 Como que voltando ao presente ele sussurrou:

= Prometo ser bonzinho com voce! “Raposa”.

E começou a gingar na minha frente enquanto eu olhava-o com desdém, eu não queria brincadeirinhas. Então resmunguei apertando o cabo das minhas adagas enquanto Elessar se afastava um pouco.

- Pode mandar tudo que puder “Mestre”!!!

Elessar rodou novamente a lâmina estranha dele antes de começar a girar em torno de mim como sempre fazia e já estava me aborrecendo com isso!
 Dessa vez eu me controlei! Não o deixei perceber que me aborrecia, nem tampouco permiti que me encurralasse como a uma caça. 
Simplesmente me afastei! Elessar sorriu e esperou que eu atacasse.
Eu deitei a cabeça de lado estudando os movimentos dele como se pudesse pensar por ele. 
Isso o deixou confuso por uns instantes. Ele não conseguiu ler os meus movimentos.

Percebendo que dessa vez eu não iria me jogar para cima dele atacando como uma fera faminta. Elessar me atacou tentando acertar um chute nas minhas pernas. 
Sem precipitação eu deslizei pra longe dele cautelosamente, sem perder de vista os movimentos dos músculos dele que me indicavam o próximo movimento. 
Notei o seu movimento de ataque, antes que sua lâmina negra viesse em minha direção e levantei minha adaga como um escudo.

O toque das lâminas uma na outra reverberou com um som alto pela Clareira. 
No mesmo momento Elessar tentou desfazer meu escudo usando o braço. 
Enquanto ele tentava quebrar minha proteção usando com força seu antebraço, sem nenhum movimento prévio eu levantei a perna acertando no abdômen dele e o empurrando para longe. 
Esse movimento inesperado o desequilibrou desarmando-o! 
Não perdi tempo aproveitei o desequilíbrio dele e girei até seu ponto mais fraco e toquei a minha adaga negra na lateral do corpo dele. 
Elessar olhou para mim surpreso enquanto Sitaara me incentivava.

Mas eu nem ouvia o que ela dizia estava prestando a atenção nos lábios de Elessar e os lendo-os  quando ele disse:

= Como voce conseguiu isso “Tigresa”

Vibrei de empolgação ao ler em seus belos lábios minha “promoção” e respondi desenhando bem nos lábios como ele fez:

- Percepção não foi feita apenas para voce “Tigre”!

Minhas palavras fizeram ele me encarar com uma expressão maliciosa enquanto me atacou novamente... 
Eu estava me gabando e não percebi a distância que eu tinha, precisei esticar o braço para bloqueá-lo e fui surpreendida pela mão livre dele que deu uma pancada no meu cotovelo me levando ao chão desequilibrada. 
Chutei-o com as duas pernas, não poderia deixa-lo me imobilizar. Mas não acertei nele. 
Elessar se afastou com facilidade e chutou minha adaga para longe vindo para cima de mim no chão. Rolei para desviar de sua investida e ao mesmo tempo chutei o braço que ele apoiou no chão quando escapei dele, isso o afastou de mim um pouco me dando tempo para correr e me jogar no chão recuperando minha adaga. 
Elessar não veio para cima em seguida, então aproveitando o lance falho, pulei sobre ele e toquei a lâmina da minha adaga no lado direito do pescoço dele.

Claro que Elessar não estava usando todo seu potencial de luta comigo ou poderia me machucar sério. No restante da luta passamos tocando nossas laminas sem que nenhum de nós acertasse o golpe.
O Sol se foi e Sitaara bateu palmas para sessarmos a luta.
Emre me disse enquanto me dava a mão para me levantar, porque eu estava jogada no chão sem ar para respirar.

- Estou impressionado Elfinha! Voce conseguiu equilibrar a luta com Elessar!

Eu sorri e agradeci a gentileza do semideus.

Elessar me trouxe um cantil com água e disse bem pertinho do meu rosto se curvando na minha direção:

= Sabia que em vários momentos voce me deixou bastante "entretido"? Voce esteve fascinante Sigel!

Eu corei! Mesmo estando com o fluxo de sangue congestionando as veias de minha face devido ao esforço em todo meu corpo. Mas sorri abaixando os olhos. Elessar me abraçou e beijou as maçãs da minha face.

Eu agradeci.

O importante para mim não era derrotar Elessar!
Por motivo que, eu nem chegaria ao alcance disso. 
Eu não era páreo para os anos de experiência do meu mestre que eu adorava, nem possuía poderes como os dele. O que me deixava feliz por ter conseguido em algum momento combater com ele, era que desse momento em diante eu senti que poderia combater ao lado dele!
 E que eu possuía alguma capacidade para protegê-lo se precisasse.

CapítuloII

Naquela noite passamos discutindo os detalhes da nossa viagem para resgatar o filho de Barzud! Não sei como, mas eu peguei no sono sentada junto ao carvalho na beira do rio. 
Quando despertei mais tarde, estava na minha cama coberta com um lençol branco de cetim que me acariciava com o vento que entrava pela janela. 
Olhei em volta, estava sozinha, notei que a porta da sacada estava aberta, porque era o único lugar que tinha um facho de luz. 
Levantei fui até a sacada na esperança que Elessar estivesse lá, 
Mas havia somente a majestosa lua que me observava enquanto o vento morno me lambia a pele coberta apenas pela fria camisola de cetim, me deixando arrepiada de frio. 
Voltei para cama, logo pela manhã iriamos atrás de Aatank...

Ainda não sabíamos o paradeiro dele e o feiticeiro que enganamos com o falso Rubi com certeza estava tentando tudo para nos pegar. 
Os bruxos sempre querem forras, revanches, vinganças. Querem sempre estar por cima. Ser o bambambã para convencer a eles mesmo que são os melhores!
Nós que somos achacados por eles estamos pouco nos lixando para isso. O que queremos é que eles fiquem o mais longe possível de nós. Estávamos querendo encontrar Aatank por motivos que era salvar alguém inocente, porque nem mesmo o jovem Elfo Dseyvar queria mais assunto com ele.

Depois do treinamento e de ter um pouco de certeza de que não iríamos perecer diante do bruxo, nos preparamos para a batalha, fosse ela qual fosse. Em primeiro lugar fomos até “Notorian” coma ajuda de Emre o semideus. 
Chegando lá, Duini o defensor da sacerdotisa não permitiu que nós entrássemos no templo para ter com ela, porque estávamos com o filho dela. 
De certo que Kalissia o via sempre em seus sonhos de Deusa, Porém estarem juntos e tocando a pele latente de amor era bem diferente. 
Então, deixamos com Emre a incumbência de domar os sentimentos de Duini. 
Emre é um Deus com encantos poderosos. Esses encantos não surtem efeito apenas com as fêmeas! São eficazes com todos os seres, sejam eles: Elfos, humanos ou animais... Todos os seres viventes podem ser encantados por um Deus. Seja ele maior menor ou maligno.

Para nossa alegria Emre cumpriu seu papel. Conseguiu que mãe e filho se encontrassem! Todos nós queríamos participar desse momento sublime que era o encontro deles depois de tanto tempo longe. Com certeza seria algo belo e divino aos olhos de qualquer ser. 
Mas não o fizemos, deixamos que eles tivessem essa intimidade tão desejada.


Kalissia e Dseyvar passaram a manhã inteira juntos. Quando finalmente abriram-se as portas do templo de Kalissia vimos sair de lá um Elfo sem luz nos olhos... 
Ele estava mais triste do que quando entrou. 
Fomos todos para junto dele para entender aquela tristeza em seu olhar depois de estar com sua mãe que ele tanto amava e queria ver. Ele falou triste.

- Nem tudo na nossa vida acontece como queremos. Muitas das vezes acontecem coisas tão inesperadas que sentimos o chão fugindo de nossos pés. Sentimo-nos amarrados e a única coisa que podemos fazer é seguir em frente e acostumar com a dor e a decepção. Só nos restando a chance de resolver os problemas e tentar mudar as coisas negativas.

Elessar falou para ele como um mentor! Um pai amoroso.

= Pode me dizer o que está acontecendo amigo?
- Estou lutando novamente com a razão e o coração. A sacerdotisa me disse que a profecia se cumprirá quando eu encontrar-me com Aatank.
De um jeito ou de outro! 
Aatank tomará a minha alma usando para isso um poderoso mago guardião do coração da Floresta! Ou eu o matarei acabando de uma vez por todas com as maldades dele contra todos os povos que ele toma alma para continuar vivo... 
Essas almas lhe dão vidas sem muitas escolhas. Eu lhe darei a juventude antiga. 

Elessar  estava sentindo um grande aperto no coração ao ouvir sobre o guardião do Rubi, mas não deixou transparecer para Dseyvar que já estava muito desolado. e perguntou:

= Qual é sua indecisão meu amigo?

- Matar Elessar. Quando matamos alguém em legitima defesa ou para salvar um amigo, já nos sentimos mal! Penso em como ficará minha alma ao procurar alguém para tirar-lhe a vida.

= Meu adorado voce tem dentro de si a capacidade para realizar tudo aquilo que desejar, basta que mergulhe profundo em seu interior, e assim, encontre a força e a luz necessária para fazer o que realmente for o certo. Mesmo que você não encontre algumas respostas dentro de si.

O caminho da existência entre Elfos e outros povos é complexo e sempre foi provido de atribulações. Serão nessas etapas difíceis que voce irá superar-se e assim mostrar ao mundo o quão grande e vitorioso você é.

Dseyvar naufragou mais uma vez nesse rio de incertezas. Sentindo seus reflexos falharem; a garganta secar, porque ele se encontrava sem ação.

Emre percebeu e perguntou:

= Insegurança Dseyvar? Ou medo de errar? 

- As duas coisas!

Respondeu o jovem Elfo! Emre continuou usando toda sua sapiência:

Não fique assim amigo! Todos nós levamos uma tapa na cara da vida. 
Voce precisa saber levantar quando cair; 
Se vier o pranto, deves procurar encontrar motivos pra sorrir; 
E se voce perder, lembrar-se que a vida não é feita somente de momentos de glória, mas sim de altos e baixos... 
É preciso ser forte para conviver e superar tudo isso. 
Precisa ser como um carvalho: crescer solidamente, com a estrutura intacta para poder resistir às tempestades e vergar seus galhos sempre para o caminho que o leve a realidade. 
Quando crescemos, com a vida hão de vir às cicatrizes, as marcas, as lembranças e principalmente, a LIÇÃO.

Dseyvar sentia vertigem nesse jogo de emoções que começava a rodear o espaço escuro e sombrio, trazendo com elas as sensações mais tentadoras e decepcionantes nas quais ele já sentiu.
 Nada era preciso... 
Tudo era abstrato... 
É indescritivelmente grande e avassalador toda essa êxtase emocional que começava a pairar sobre o ar gélido do entardecer.
As sensações chegavam a causar arrepios... A Impotência é o que passava a predominar.

 Inexplicavelmente pontas de luz começaram a aparecer sobre o cenário tenebroso e negro, e tudo começava a clarear, mas toda aquela luz não lhe fazia tão bem aos olhos, por mais que ele procurasse a visão não era capaz de dar um final preciso, era misterioso com um ar de desafio.

Sentindo o desespero que rondava seu amigo Elessar lhe explicou;

= A claridade, o final luminoso, mas às vezes não tão agradável que voce consegue ver:chama-se razão!

= A escuridão com escassez de luz, cheia de espinhos e com um final incerto, mas desejável, misterioso e tentador, se chama coração!

- Razão e coração parados a frente do “Dançarino das Espadas”. Somente uma escolha, uma atitude, uma ação e a decisão a  tomar....

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